sábado, 12 de junho de 2010

Ele





Personificação daquele que habitará meu coração e abarcará minha vida tem nos braços o calor manso do sol nascente e ao anoitecer, me oferece uma estrela em cada olhar.

Possui mansidão terna e calorosa, e acalenta o desejo de ser amado e de amar profundamente.

Virá como meu benefício, fruto do sacrifício, que exerce todo o ser, em busca do eterno e solitário "esperar".

Acima de qualquer coisa, notará em mim, o diferencial que me faz tão pitoresca e diferente das outras mulheres.

Chegará manso, dotado de nobres princípios, e atitudes doces.

E assim, liderará o meu lar, porém antes de qualquer decisão, achará sempre importante perguntar minha opinião.

Será a sensatez de meus momentos insensatos

Meu equilíbrio perfeito, o meio da balança para minhas idéias destemperadas.

Será a causualidade boa das sementes férteis do amor que plantei em solos estéreis nos erros do caminho.

Ele me espera e deseja me encontrar.

Tem a alma e a mente daquele que tem comprometimento, e que veio para ficar essa existencia inteira.
Ele é a realidade do âmago dos meus sonhos.

A personificação de todo o meu amor.É o desejo do coração que baniu de uma vez a dor.

Eu acredito e assim será.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Escrevi, mas não mandei...



Acreditei durante toda a vida que em uma relação cabia a fantasia, o final feliz e talvez ser um conto de fada. Acreditava na causualidade da vida. Acreditava na magia dos momentos. Na verdade, sucumbimos ao peso da realidade, da verdade, dos defeitos e de nossa própria hipocrisia. Fomos dominadores. E, nos magoamos até a exaustão. O encerramento de todos os fatos e fantasias foi doloroso mas terno. Gostaría de ter ficado com essa recordação, mas a realidade é sempre a realidade. Me espantou após uma semana receber a sua ligação, para dizer que na verdade não me amava e se sentia mais livre e tranqüilo. Liberdade e crueldade são conceitos diferentes, e como ainda possui pouco tempo neste terreno afetivo, quem sabe um dia, compreendes a diferença entre uma e outra.


Confesso alguns momentos ainda me trazem saudade. Momentos em que a possibilidade do encantamento nos trazia esperança. Dia 12 de Julho, as escadas do ensaio para inauguração do Municipal e as conversas de olho no olho antes de dormir, pequenas promessas de amor, imaginação de um futuro bom, Postcards From Italy e cócegas. Mas, essa é a forma como eu fantasio para fugir da realidade. Porque eu queria muito que fosse diferente. Na vida não cabe a fantasia, temos que analisar os fatos como se apresentam. Assim como não se toleram os chatos, não creio que caiba qualquer continuidade em nossos caminhos. Você não me tolera por minha exigencia e eu não o tolero pela sua crueldade. Não posso aceitar uma amizade, de quem me tratou com isenção de qualquer sofrimento que eu por ventura pudesse apresentar naquela ocasião. Este é um outro conceito que creio que o tempo lhe ensinará : Amizade – que assim como o amor que vc não soube identificar - não faz parte do seu vocabulário e tão pouco se seu coração. Amar não é ouvir sininhos, correr pela pradaria...E ver que na realidade, no companheirismo, na cumplicidade ainda conseguimos enxergar algum tipo de encantamento.

Seja feliz, não me procure mais, ainda que indiretamente. Guardo boas recordações do parte boa do que vivemos, mas ao colocar tudo na balança do destino, a sua crueldade pesou mais.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Leste e Oeste


No seu coração sentiu o inevitável. Desde o primeiro dia em que seus lábios se tocaram, a bússola que guia a nau da intuição feminina anunciava que aquele ponto cardeal não apontava para o leste (aonde todas as coisas nascem) e sim para o oeste (aonde inevitavelmente todas as coisas tem um fim). "A bússola anda meio enferrujada, vai ver que se enganou" - pensou inebriada pelos carinhos do rapaz. Sete meses depois naquele fatídico dia ela veria que sua bússola JAMAIS se engana.

Então, a mulher rumou para sua direção natal sem o tal rapaz do oeste. Levou boas lembranças, mas também as más...Aquelas que nos causam uma dor excruciante. Das más lembranças permaneceram as  últimas palavras ditas em um sábado chuvoso, após uma semana em que colocaram fim ao suplício de ambos: "O fato é que me sinto mais livre sem vc, não te amava mais, não tenho dúvidas disso".

A mulher vergou mais uma vez, mas não quebrou. Chorou por tudo aquilo que foi dado e não foi aproveitado,  mas quem é do leste é sempre assim. Doa-se mais, não tem medo de amar, não tem medo da abundância e ouve o seu coração apesar de todas as opiniões alheias. Paga para ver, aposta para ganhar mas não há mal se perder. Lembrou-se que leste e oeste jamais se encontram. Não se pode ficar na direção oposta, não se pode permanecer ao lado de uma pessoa que nos enfraquece.

O sol nascia em seu caminho, secou as lágrimas e manteve seu caminhar, sempre em frente , sem olhar para trás.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Maldita

Não posso afirmar categoricamente quando os fatos começaram a se apresentar suscintamente estranhos. Na verdade é uma estranheza apenas reconhecida por mim, ou pela doença que me acomete cada vez que ele sai de meu domínio. Ele chora como um homem personagem de um filme de Almodovar, e se já viu o filme que menciono, sabe que o choro sentido é de algo perdido que não retorna mais. O choro não é por mim. 

A falta e exclusividade dos amores perdidos no caminho, as ilusões de promessas erdidas, as noites tórridas que não são mais intermináveis, a ruptura e o fim. 



E, a maldita que chegou antes de mim, tatuou na alma dele uma marca invisível que se revela para mim, em momentos como os de choro, aqueles que não concretizou porque o amor foi interrompido no auge da paixão. Que ele sai do ar do meu dominio, do meu coração e entra em universo que não faço mais parte.



A tristeza é descobrir que no coração de todo o homem existe um cemitério onde jazem as paixões inacabadas que nenhuma outra mulher atingirá. 


Eu sou uma boa mulher, oferecendo um coração genuíno que não será reconhecido. Oferecendo uma vida que não poderá completa-lo. Certa feita, comentou comigo que só se sabe que esta perdidamente apaixonado quando o outro vai embora. Será que terei que ir para que ele se dê conta ?


Sei que tambem sou maldita no coração de algm homem. Será que esse ciclo de morte e infelicidade tera fim ?





  

domingo, 12 de julho de 2009

Encantados



Manhã preguiçosa
Chovia e ventava forte

Veio o susto! - (Será um anúncio do medo eminente ?)
Receosamente pensei
Fechei meus olhos
E, imaginei ...
Um dia branco
Alvo como uma tela
Colorindo-se aos poucos
Sendo pintado por nossas aquarelas
"Se assim vc vier
Para o que der vier"
O passado lá está
Amanhã ninguém saberá
Nossos pincéis dirão ao hoje
O que queremos viver
Em tons pastéis ou cores fortes
Talvez, até frias
Convido a se juntar a mim

Colorir comigo colorir esse dia!
Somente esse dia !!
Para ficar ali gravado
E, ao final da noite
Nos olhares trocados
Os sorrisos e beijos,
Nossos olhares
Observando a obra
O dia não é mais branco,
E, outros que virão
Não serão mais tão cinzas
Nesta tela, deste dia
Lançaremos sobre ela nosso olhar
E, finalizaremos nossa arte
Com a paixão que abençoa os encantados.

domingo, 5 de julho de 2009

Precezinha...







Querido Deus,


Hoje, especialmente eu gostaria de acordar, esticar o braço e ver que o lado esquerdo da cama não está vazio.

Queria ter feito aquele sexozinho ameno da manhã de domingo, tomar café na padaria com the one, juntos iríamos a um parque passear e arrematar com um cinema de tarde.

Domingos não me deixam bem.

Domingos são dias propícios para namorar. E eu para variar, sozinha.

Hoje, para não me deixar azedar, comi doce.

Chocolate, brigadeirão, rocambole e para arrematar morangos.

Deus, mande logo aquele meu namoradinho

Antes que eu vire um bujaozinho,

Amém!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Morando entre as estrelas



Esta estória é dedicada a Clementina Marques de Jesus, minha avó, que faleceu em uma data boa para os cristãos, na Páscoa, data de renascimento.

Vovó foi quem me criou, e foi-se de repente. Ela costumava dizer uma frase, que nós ríamos muito, e que demonstrava a objetividade que sempre tivera : "Ja comi, já bebi e nada mais me prente aqui". E, ela se foi assim, pois nada mais a prendia aqui. Tinha cumprido o seu papel.

Vovó e eu sempre tivemos uma sensibilidade a mais para a eletricidade no ar ou as energias etéreas que permeiam a existencia dos seres humanos e que, por muitas vezes, não percebemos. Compartilhavámos laços mais fortes do que os laços de família, estaremos unidas sempre pelos laços do coração.



Tinham ido ao parque de diversões, a avó e a netinha. A fim de que pudessem ir em seu brinquedo favorito. Apesar da diferença da idade, não se sabia ao certo qual das duas era a mais velha. O fato era de que sempre haviam compartilhado as emoções e sensibilidades que muitas vezes passam alheias na vida da maioria dos seres humanos. Ambas tinham vontade de chorar ao verem um lindo por do sol, e quando olhavam as estrelas se sentiam parte da Criação. Nas rádionovelas sentiam medo, terror, amor, e a tristeza de todos os personagens, e por sentirem e vivenciarem as emoções dos outros como se fossem as suas próprias, é que entendiam tão bem de seres humanos.
Muitas vezes adivinhavam-lhes o pensamento antes mesmo de verbalizarem. Por isso, como nem sempre a verdade agrada, tinham poucas amizades, mas as que possuiam eram duradouras.
E, assim existiam juntas, passando por dificuldades, alegrias, perdas e resgates até o dia do carrousel.

O brinquedo estava esquecido em um cantinho do parque, o predileto delas, onde não havia muita gente, e podiam ficar a vontade a compartilhar gargalhadas sem se importarem com expectadores a julgar-lhes. As duas subiram e deram o sinal ao rapaz que manejava o brinquedo.
A netinha subiu no cavalo azul com fitas douradas, e avó no malhadinho com fitas amarelo-ouro. Giraram felizes por muitas horas, se imaginando em pradarias, campos, pampas, vinícolas, alpes, vales e montanhas.

- Neta, sabe um lugar que ainda não estivemos ?
- Qual, avó ?
- As estrelas, nunca sonhamos em cavalgar entre as estrelas.

Colocaram-se a caminho do Universo. Visitaram planetas, apostaram corrida com cometas, se pederam em nebulosas, assistiram emocionadas o nascer de uma estrela, brilharam ao lado do sol, tomaram banho de brilho prata na lua. Quando passaram por Marte, a caminho da Terra algo se modificou no semblante a avozinha, e então a neta entendeu o próposito daquela viagem.

- Avó, já entendi. Precisas ficar, não é mesmo ?
- É, minha neta...Preciso sim. Não te demores, o dia já amanhece. Arreia teu cavalo e parte. Serei parte das estrelas cadentes que passam apressadas, serei a primeira estrela que verás no céu, e cuidarei da tua existência que está impressa no véu azul profundo do universo desde o dia que nascestes, e cuidarei do teu regresso, no dia que subires em seu cavalo azul com fitinhas douradas cavalgando correndo e estarei a te esperar.

A neta deu-lhe um beijo na testa e um abraço apertado, e desceu a Terra.

O rapaz que estava adormecido, acordou e se deu conta que havia passado tempo demais cochilando, parou assustado o brinquedo, olhou-a a menina com espanto, e indagou-lhe onde estaria a sua avó, e a neta ainda um pouco triste respondeu-lhe:

- Não se preocupe! Ela apenas voltou para casa. - E apontou para a primeira estrela que surgiu ao cair da noite.